Jesus e o cego Bartimeu

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A perícope Jesus e o cego Bartimeu apresenta-se na forma narrativa, destacando os personagens Jesus e o cego Bartimeu, ainda há outros personagens como os discípulos e a multidão. Ao observar o contexto, vemos esta passagem nos três evangelhos sinóticos (Marcos 10,46-52, Mateus 20,29-34 e Lucas 18,35-43) em Mateus e Marcos trazem o relato da cura antes do anúncio da morte e ressurreição de Jesus e do pedido de Tiago e João, que no reino de Jesus queriam sentar-se à sua direita e à esquerda.

Ao longo do caminho para Jerusalém, Jesus anunciara três vezes que teria de sofrer, ser crucificado e ressuscitar, mostrando que seu modelo de poder não estava alicerçado nos padrões humanos, mas no amor e no serviço ao próximo. Entretanto, Tiago e João, filhos de Zebedeu, não parecem ter compreendido a missão e o poder de Jesus, vindo a solicitar a autorização de Cristo para tomar um lugar de destaque no reino de Cristo.

A proposta de Cristo é o serviço e não a dominação. Mesmo já tendo relatado a cura de outro cego em Betsaida o evangelista Marcos faz questão de acrescentar ainda essa história pouco antes da entrada de Jesus chegar a Jerusalém.

A perícope do cego Bartimeu pode ser dividido em três momentos distintos para melhor compreensão.

No primeiro, Jesus passa e o cego está sentado à margem do caminho, pedindo esmolas. No séc. I d.C para a sociedade, ser cego implicava ser incapaz, ter um defeito, pois os cegos tinham seus direitos retirados. A cegueira era vista como um castigo divino ao pecado humano (Jo 9,1-2) passado de pai para filho. Mas, para Jesus os cegos eram acolhidos e curados no caminho. Portanto, Bartimeu é um cego em Israel, mas também mendigo, o que o colocava na categoria dos mais necessitados, que dependiam da ajuda de outros para sobreviver.

No segundo, tendo tido a atenção chamada pelos gritos insistentes do cego, Jesus para e pede que ele se aproxime. Bartimeu levanta-se, joga a capa para longe e vai de encontro do mestre.

O grito de Bartimeu se constitui no Evangelho de Marcos como primeiro nível de confissão de fé em Jesus e em seu envio ao Messias, Filho de Davi, atribuía-se não só a libertação de Israel, senão também solicitude e compaixão. Então, Bartimeu implora a “compaixão e misericórdia” de Jesus.

No terceiro, uma vez curado, a partir de sua fé, Bartimeu põe-se a caminho de Jerusalém com o restante da comitiva que acompanhava Jesus.

A função da cura no AT não era o caráter extraordinário da instrução divina que impressionava, mas antes a própria intervenção em si. Essa intervenção em si era o sinal de misericórdia e benevolência divina de onipotência e glória. “Os sinais de Jesus, no NT, faziam parte de sua missão messiânica (11,5; Lc 7,22). A cura acontece por causa da fé: “Va, a tua fé te salvou” (v. 52b-c). O elogio que Jesus faz a Bartimeu é o mesmo elogio feito à mulher que tinha fluxo de sangue (Mc 5,34). A fé é uma qualidade que Bartimeu possuía, mas que faltava nos discípulos de Jesus, por não compreenderem a missão até o presente momento. Estas são as únicas pessoas cuja fé é elogiada no evangelho de Marcos. De fato, Bartimeu tinha fé porque ele imediatamente recuperou a vista. NO AT (Jeremias 5,21) fala que tem olhos mas não enxergam a questão de recuperar a visão vai além do simples enxergar, Jesus pergunta o que o cego Bartimeu deseja. Ele deseja ver novamente! A fé dele o salva, ele é motivado por recuperar a visão e Iluminado pela proposta de Jesus, adere ao projeto de Cristo.

Nessa aceitação está implícita a adesão ao projeto de Cristo, ter fé no poder e na pessoa de Jesus foi necessária para que Bartimeu fosse curado, acreditar sem vê.

No versículo 51, Bartimeu dirigiu-se a Jesus chamando o de “Rabbuni”, “Meu mestre” expressão de profundo respeito e pediu-lhe uma cura. A indicação de alguém que perdeu a visão e não um cego de nascença, como o cego que foi curado por Jesus, mencionado no evangelho de S. João (João 9,1).

Este possível significado do cego que já enxergava anteriormente e deixou de ver, acabando cego, foi procurar Jesus sem ajuda de ninguém, foi repreendido e pediram para se calar, mas continuou a procurar até ser visto por Jesus.

No AT, o verbo “Recuperar a vista” relaciona frequentemente o significado de profunda, percepção, compreensão e percepção da fé. 

A cura evidência, por um lado, que Jesus atende os excluídos, os que pedem ajuda, e por outro lado, Bartimeu que manifesta o seu pedido e demostra seu desejo em sair, da beira do caminho, de Jericó, da mendicância, deixa a sua capa que também é seu abrigo e seu leito, levantando-se e foi até Jesus. A cura de cegos é um dos sinais claros da atuação messiânica de Cristo o relato da cura de Bartimeu tem seu foco na importância do ouvido e da linguagem para a compreensão verdadeiramente humana.

 

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